ELETROCARDIOGRAMA – O QUE É?

Eletrocardiograma

O eletrocardiograma (ECG) é um exame responsável por registrar a função da atividade cardíaca. A contração das fibras do miocárdio é causada pela despolarização proveniente do estímulo elétrico, que se propaga até as células vizinhas, de forma que cada contração é provocada onda de despolarização estende-se por todo o miocárdio. O registro da atividade elétrica do coração é realizado por meio de três variações. O sistema de condução neuromuscular do coração é composto pelo nódulo atrioventricular, o feixe de His e as fibras de Purkinje.

A origem do impulso elétrico localiza-se no nódulo sinoatrial propagando-se até englobar os átrios. O ciclo cardíaco é composto de onda P, complexo QRS e onda T, e se repete continuamente seguindo esta mesma ordem. Inicia-se a partir da onda de despolarização (dirige-se para um eletrodo positivo) nos átrios desencadeia a contração dessa estrutura, a qual é denominada onda P. Após essa onda, surge o complexo QRS o qual descreve a despolarização e posterior contração dos ventrículos, mas não determina sua força de contração. A onda Q é a primeira deflexão para baixo (negativa) do complexo QRS, a curva sobe novamente formando a onda R (positiva). Nem sempre há onda Q. A onda S (deflexão negativa) sempre é precedida de uma onda R (deflexão positiva). O complexo QRS é seguido de uma pausa, depois do qual encontramos a onda T (bifásica). Essa onda corresponde à repolarização dos ventrículos, e ao final da onda T ocorre o relaxamento cardíaco (diástole), sendo capazes de responder a um novo impulso elétrico.

O ECG padrão é composto de seis derivações precordiais e seis derivações das extremidades. As últimas, segundo Einthoven, são obtidas colocando um eletrodo no braço direito, outro no braço esquerdo e, finalmente, outro na perna esquerda. Graças aos eletrodos de ambos os braços e perna esquerda, obtemos as derivações das extremidades. Cada lado do triângulo corresponde a uma derivação (I, II e III). A derivação horizontal I é feita entre o eletrodo positivo do lado esquerdo e o eletrodo negativo do braço direito; sendo que sua deflexão é positiva devido a maior proximidade com o braço esquerdo. Na derivação II, a deflexão resultante é para cima devido a maior proximidade da perna esquerda, caracterizando-se maior em relação a derivação I. Já a derivação III o eletrodo do braço esquerdo é negativo e o eletrodo da perna é esquerda é positivo; sendo a sua magnitude equivalente à primeira deflexão igualmente para cima.  Quando se faz um ECG temos que colocar um quarto eletrodo na perna direita, este atuará como eletrodo terra que estabiliza o registro. O AVR é outro tipo de derivação, o qual é obtido de um eletrodo positivo no braço direito e um eletrodo negativo formado pelos três eletrodos restantes. A derivação AVL tem seu eletrodo positivo no braço esquerdo. Os demais eletrodos juntos funcionam como negativo. Em AVF, o eletrodo positivo está na perna esquerda.

A direção de um vetor durante a despolarização dos ventrículos (propagação) corresponde a +59º, em que o ápice do coração permanece positivo em relação à base. A derivação I possui eixo igual a 0º, uma vez que os eletrólitos permanecem na direção horizontal. Na derivação II, o eixo é aproximadamente 60º, pois os eletrólitos encontram-se na perna esquerda e no braço direito. Já a derivação III um eixo de 120º e, AVR, AVF e AVL, respectivamente, +210º, +90º e -30º. No coração despolarizado espera-se encontrar angulação média de +55º.

O eletrocardiograma é o método mais eficaz para detectar uma arritmia, a qual consiste de uma anormalidade de frequência, da regularidade ou do local de origem do estímulo, ou na sequencia normal de ativação dos átrios e/ou ventrículos. Existem basicamente dois tipos de arritmias, a sinusal e a sinusal respiratória. A primeira é caracterizada pelo transtorno do ritmo, podendo ser provocada por problemas circulatórios na região do nódulo sinusal consequente de pressão arterial elevada ou enfermidade infecciosa (difteria, escarlatina). Dessa forma, a atividade do marcapasso (nódulo sinusal) apresenta-se irregular, os impulsos surgem em intervalos não regulares. Já na arritmia sinusal respiratória, pode ocorrer alteração da frequência respiratória, aumentando a frequência de inspiração e reduzindo a de expiração, encurtando os ciclos. Isso é uma consequência das variações autonômicas cíclicas dentro do nódulo sinusal.

Através do eletrocardiograma, é possível detectar três doenças: bloqueio átrio ventricular, bloqueio de ramo e infarto agudo do miocárdio. Na primeira, os impulsos atriais permanecem retidos no nódulo atrioventricular, retardando a transmissão (despolarização) até os ventrículos. O bloqueio de ramo é produzido quando o impulso elétrico localizado no ramo esquerdo ou direito do feixe de His está paralisado, retardando o impulso (despolarização) do lado afetado.

Autor(a): 

Doutoranda em Medicina.

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